domingo, 14 de outubro de 2012


Há pouco senti uma saudade enorme da sua presença sempre tão nítida em meus dias de solidão, então recordei que faz um ano que você me apareceu pela primeira vez em um agonizante sonho, no qual o medo me fez ignorar. Mas você, querida amiga longiguia, não permitiu deixar a lembrança de sua alma sair dos meus pensamentos. Me seguia nas noites sem lua, corria pelas calçadas quebrando o silêncio noturno, e dançava macabramente uma melodia fúnebre.
Tive medo quando o sino tocava doze badaladas, e logo em seguida meu leito esfriava com tua presença sentida em um aroma de rosas brancas, igual aquela que deixaste sobre minha cama como prova de tua existência. Meu corpo tremia, e minhas palavras pareciam mergulhar nas águas negras que um dia me tirou a vida, e tudo por que você, amiga longuigua, era presença sentida em meus dias solitários.
E agora por onde anda a menina de vestes brancas e face triste que por meses era o temor do meu coração? Pergunto-me se esta a cantarolar em algum campo distante de onde estou e se sabe da falta que sinto de tua presença, ou por que não voltas a residir em meu leito acompanhando-me nesta inútil existência que me rouba o amargo aroma da morte. Peço em suplicio que volte a sua antiga moradia de um ano atrás, e que traga juntamente consigo a minha alma já esquecida.

                                                                                          Beatrice Portinari.  

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