terça-feira, 20 de novembro de 2012


Nunca senti isso! Ou melhor, nunca fui de sentir nada. Sempre existiu dentro de mim uma espécie de rascunho sentimental que me fazia recordar de episódios importantes ao lado de pessoas, cheiros, músicas e lugares. Era como um baú que ficava a espera de algum devaneio, para poder então ser aberto.  
Mas agora afirmo que tudo se tornou diferente. Posso não saber explicar como ocorreu essa súbita transgressão ao qual passe, pois de repente, ou inconscientemente tudo mudou dentro de mim. Por mais ou menos um mês tentei não ouvir músicas que pudessem me levar a pensar nas coisas que aconteceram, e que mexeram muito mais do que eu previa dentro de mim. Achei que me esquivando dessa forma estaria protegida dos meus próprios sentimentos. Quis fugir e voltar somente no momento em que me sentisse forte, para então poder olhar o mundo de frente, sem medo de que as provações pudessem me fazer cair novamente. Mas ontem percebi que esse tempo me fez renascer, e me presenteou com uma força que jamais pensei que pudesse estar dentro de mim. Ouvi músicas que no passado levariam meu coração as lágrimas, mas que ontem entraram por meus ouvidos e não me causaram absolutamente nada. Meu coração as ouviu atentamente, vasculhou a caixa de rascunhos e percebeu que a mesma estava vazia e limpa de todo o e qualquer vestígio de um amor inútil. É estranho, devo admitir, pois minha alma sempre foi repleta de sentimentos fortes e sensações inexplicáveis, mas agora, porém não há nada. Absolutamente nada que consiga fazer o meu coração se acelerar de alegria ou chorar de saudade. Nada que me desperte o amor. 

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