Ultimamente ando tão silenciosa com relação a determinadas situações, que muitas vezes me pego a pensar que essa vontade de estar assim uma hora me fará mal. Às vezes tenho uma enorme vontade de poder desabafar com alguém, quem sabe até falar dos meus devaneios como quem conta uma triste história de decepção, mas então sou tomada por um pensamento de que novamente não conseguirei expor meu declínio para outros ouvidos que possam então testemunhar o que me acontece. Acho que esse silêncio que venho alimentando conforme os dias passam, agora é tão imenso e abrangente que não há como dominá-lo, ou voltar a ter confiança no seres humanos. Tenho medo, sim. Um enorme pavor dessas paredes que me parecem mais próximas a cada anoitecer, deste chão cinza e frio que me toca os pés. E até de todos os livros que agora já não consigo ler.
Tenho visto lágrimas escorrerem por minha face constantemente, e muitas vezes involuntariamente. Choro por não conseguir escrever os meus sentimentos, e tudo que sinto aumentar tão rapidamente dentro do meu peito. Choro por essa dor que não passa, e pelo passado que me bate a porta apenas para me fazer relembrar de todas as coisas que perdi. Ou que de fato jamais me pertenceram.
Sou um ser totalmente repleto por as tristezas que o silêncio esconde por trás de todos os sorrisos que meus lábios mostram. Alguém que tem a alma distante, e que muitas vezes esquece-se de chamá-la novamente para habitar o seu corpo. Sou todas as complicações deste mundo aparentemente correto. Um mundo no qual jamais foi o lugar para o meu espírito residir.

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